Sopa de pedra

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Contam que havia nos cafundós do sertão nordestino – em tempos que já se foram – um vigário que costumava percorrer a caatinga, montado num jumento ferrado e guarda-sol aberto, a fim de levar a palavra de Deus aos mais distantes fiéis.

Certa vez, já anoitecia, quando seu vigário, sem abrigo e alimento, conseguiu chegar a uma casa. Sem mais demora, pediu que lhe dessem algo para comer. Entretanto, o pedido do padre andarilho, foi, prontamente, negado. Sem perder a calma e de maneira cortês, pediu, então, apenas um pouco d’água para fazer uma sopa de pedra.

Curiosos, os moradores deixaram-no entrar e deram-lhe uma panela de água, na qual, o padre colocou uma pequena pedra lavada e levou a panela ao fogo.

– Isso com um bocadinho de sal seria um ótimo consolo – disse o vigário.

E deram-lhe o sal.

– Ora, bem que uns feijões aqui e ali viriam a calhar – teimava o padre.

E deram-lhe uns feijões.

– Para ter mais sabor, um pedacinho de toucinho, seria o ideal.

E deram-lhe o toucinho.

Assim, ele acrescentou ainda um fio de azeite, umas couves da horta, batata, alho e cebola, até que a sopa ficou um primor e foi consumida até a última gota.

Terminada a janta, seu vigário, muito do bonachão, retirou a pedra da panela, lavou-a, e guardou novamente na sua algibeira, para outras sopas de pedra. Tocou no crucifixo que trazia no peito e disse aos moradores:

– Inté logo, meus filhos! Deus os abençoe!

E foi procurar abrigo noutra casa.

Autor desconhecido
Enviada por: Edeli Arnaldi

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