Razões do poder

O imperador amava seu touro, que considerava imbatível na arena. Milhares de inimigos haviam sido sacrificados à sua sanha.

Tal era sua confiança irrestrita no animal que resolveu pôr em risco seu reino e sua filha herdeira, oferecidos a quem, desarmado por livre e espontânea vontade, se dispusesse a enfrentar o touro em luta de corpo a corpo e o liquidasse.

Durante longo tempo, um cidadão observou o touro em ação, estudando-o em seus mínimos detalhes, suas artimanhas, seu estilo de ataque e defesa, o poder de suas forças e suas possíveis fraquezas. Até que se convenceu e topou o desafio.

Tudo preparado, cheio de confiança, dirigia-se à arena quando um oficial do reino o interpelou por dever regimental sobre o seu último desejo:

– Como último? Eu vou vencer o touro!

– Eu sei. Acompanhei-o esse tempo todo e não tenho dúvidas de que só você tem condições de liquidar o touro.

– E então?

– Já leu o regulamento? Leia-o com atenção.

Vencido o touro, em luta espetacular, o herói é aclamado delirantemente pela população, porém, perplexo e sem explicações, é transportado imediatamente para a cirurgia, para o regulamentar teste antidrogas. Já morto, com as vísceras extraídas e analisadas, chega-se ao laudo inútil: não estava dopado…

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