O Valor do Colar

Tradução e adaptação do espanhol por João Nicolau Carvalho

O discípulo visitou seu mestre e disse:

— Mestre, sou um trapalhão, não valho nada, não sirvo para nada. Que posso fazer para melhorar, e que as pessoas me valorizem?

Ao que o mestre lhe respondeu:

–No momento não posso te ajudar. Preciso antes vender este colar, e poderás me auxiliar vendendo-o. Depois poderei ajudar-te.

O discípulo aceitou a missão, prestando atenção às determinações do mestre:

–Vende o colar pelo melhor preço que conseguires, pois tenho umas dívidas a resgatar, mas não aceites menos que três moedas de ouro.

Apesar de a aparência do colar não ser atrativa, o discípulo, uma vez no mercado, tratou de vendê-lo.

Todos, no entanto, o gozavam quando mencionava a quantidade de moeda que pedia por aquele colar… Mostrou-o a muita gente, que se ria dele. A melhor oferta que conseguiu foi de três moedas, mas de prata. No entanto, ao recordar que o mestre lhe dissera que não poderia vender por menos de três moedas de ouro, rejeitou a oferta.

Depois de tentar vender o objeto e não conseguir, o discípulo, decepcionado, voltou ao mestre:

— Mestre, sinto muito, mas o máximo que me ofereceram pelo colar foram três moedas de prata. Creio que não posso enganar ninguém quanto ao seu verdadeiro valor.

O mestre escutou e o refutou:

–Certamente, primeiro deves conhecer o verdadeiro valor da joia. Te peço que regresses ao povoado e mostres o colar ao joalheiro. Pergunte-lhe seu verdadeiro valor, mas não o vendas, por favor. Primeiro regresse aqui com o colar.

O joalheiro examinou o colar e disse ao discípulo:

— Diga ao teu mestre que posso dar sessenta moeda de ouro pelo colar, se é que ele tem tanta pressa em vendê-lo..

O discípulo correu entusiasmado ao seu mestre para informá-lo da quantidade de moeda que oferecia o joalheiro.

O mestre, sorrindo, ouviu o discípulo, e replicou:

— Eras como este colar: uma joia valiosa e única, só que desconhecias o teu verdadeiro valor. Somos nós mesmos quem devemos descobrir quanto valemos. Pretender que os outros o façam é um erro.

Dizendo isso, o mestre guardou o colar, enquanto o discípulo, feliz, o corpo erguido, um novo caminhar, se distanciava.

(Do livro Autoestima, de Miguel Angel Montoya e Carmen Elena Sol, Editorial PAX, México).
Enviada por: João Nicolau Carvalho

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