O Flamingo avarento

Nunca naquela região se tinha visto um flamingo tão avarento. Havia encontrado, há algum tempo atrás, um tesouro escondido, que era suficiente para lhe garantir o futuro. Mesmo assim, não parava de trabalhar.  Não o fazia para contribuir com a comunidade, mas por ganância, para acumular cada vez maiores riquezas. Todos os dias, saía de casa ao nascer do sol e só retornava tarde da noite. E isso porque não o deixavam trabalhar à noite.
– Devemos ter prudência e trabalhar o máximo possível, porque o futuro é incerto, dizia ele para se justificar.
Os vizinhos ficavam espantados.
– Mas de quanto dinheiro necessita esse flamingo? interrogava-se o pelicano.
– Olhem para ele. Anda vestido como um mendigo! apontava a lebre. Usa este mesmo traje há muitos anos. E tudo para poupar, já viram?
Efetivamente, além de ser um incansável acumulador de riquezas, o flamingo era incapaz de gastar um centavo. O seu aspecto, o mais deprimente possível, causava pena e ao mesmo tempo desprezo aos seus conhecidos.
Um dia o flamingo, que além de tudo alimentava-se muito mal, acordou com dor de estômago e não pôde ir trabalhar.
– Que desgraça! exclamou, receando pelo seu futuro. Não posso ir trabalhar! Bom… nada de chamar o médico. Cobra muito caro pelas visitas e logo em seguida há os remédios… Vou esperar mais um pouco. Com certeza a dor logo passa….
O tempo passou e o flamingo avarento ficou cada vez pior. Quando, finalmente desesperado, resolveu chamar o doutor, já era muito tarde. A doença havia progredido muito e não havia mais remédio.
Então o flamingo compreendeu que a avareza o tinha prejudicado. A riqueza só tem valor se a soubermos utilizar.

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