O conselho do monge

Aos pés do Himalaia um Mestre me contou uma história que ele dizia ser verdadeira. Na Índia tudo é possível. Havia um pequeno vilarejo onde todos eram livres e felizes. Todos podiam falar… até os animais. Só havia um problema, não conseguiam conviver com a dona cobra rajada pois ela era muito feroz. Atacava, picava… assustava… e as crianças tinham muito medo dela assim como os adultos.

Já estavam pensando em eliminar a cobra do local, quando um Monge ali ia passando em sua peregrinação. Ao ouvir o alvoroço aproximou-se. E a população pediu a ele que gentilmente o ajudassem.

O Monge muito sábio foi até a cobra com muita cautela. Ela de longe sibilava e ameaçava-o. Foi quando ele disse que seus dias estavam contados e ela se assustou.

“Como assim”?

“Sim, você é muito feroz. Maltrata a todos, até os inocentes. Ninguém mais gosta de você”.

“Mas só estou fazendo o que sempre me ensinaram. É de minha natureza. Como posso eu ser diferente”?

O Monge lhe disse para ser mais amiga… não maltratar os inocentes, ser mais bondosa e depois disto ele foi embora.

E ela se pôs a meditar.

Um ano depois o monge passa pelo mesmo vilarejo e encontra a cidade em festa, todos felizes com a cobra que se encontrava toda machucada, com curativos por todos os lados de seu corpo finoooo…

“Mas o que houve”?

“Oh Monge, fiz tudo o que me ensinaste. Hoje sou muito bondosa… mas olha só para mim”.

“Minha amiga cobra… ser boba é diferente de ser boa. Falei para você não maltratar os inocentes… mas não lhe pedi que não mostrasse seus dentes”.

Vânia Lúcia Slaviero
No livro: A cura pelas metáforas

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