Grande Ed

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Quando cheguei à cidade para apresentar um seminário sobre Gerência Obstinada, um pequeno grupo me levou para jantar a fim de me instruir sobre as pessoas a quem eu falaria no dia seguinte.

O líder óbvio do grupo era o “Grande Ed”, um homenzarrão corpulento, de voz grave e retumbante. Durante o jantar, ele me informou que trabalhava como intermediário numa grande organização internacional. Seu trabalho consistia em ir a determinadas divisões ou subsidiárias para rescindir o contrato do executivo encarregado.

– Joe – disse ele – estou realmente ansioso por amanhã, porque todos precisam ouvir um cara firme como você. Eles vão ver que o meu estilo é o certo – sorriu largamente e deu uma piscada.

Eu sorri. Sabia que o dia seguinte seria diferente do que ele estava prevendo.

No dia seguinte, ele sentou-se impassivelmente durante todo o seminário e, ao final, saiu sem me dizer nada.

Três anos depois, voltei àquela cidade para apresentar outro seminário gerencial para aproximadamente o mesmo grupo. O grande Ed estava lá de novo. De repente, por volta das dez horas, ele se levantou e perguntou em voz alta:

– Joe, posso dizer algo para estas pessoas?

Eu sorri e disse:

– Claro. Quando alguém é grande como você, Ed, pode dizer o que quiser.

O grande Ed prosseguiu dizendo:

– Todos vocês me conhecem e alguns sabem o que aconteceu comigo. No entanto, quero partilhar isso com todos vocês. Joe, acho que você vai gostar.

“Quando ouvi você sugerir a cada um de nós que, para nos tornarmos realmente firmes, deveríamos aprender a dizer àqueles que nos são caros que realmente os amamos, pensei que tudo aquilo não passasse de sentimentalismo barato. Tentei imaginar o que aquilo tinha a ver com ser firme. Você tinha dito que a firmeza é como o couro, e a dureza é como o granito; que a mente firme é aberta, flexível, disciplinada e tenaz. Mas eu não conseguia entender o que o amor tinha a ver com isso.

Naquela noite, quando me sentei diante de minha esposa na sala de estar, suas palavras ainda estavam me atormentando. Que tipo de coragem seria preciso para dizer à minha esposa que eu a amava? Será que qualquer pessoa não seria capaz de fazê-lo? Você também havia dito que isso deveria ser feito à luz do dia, e não no quarto. Deparei comigo mesmo limpando a garganta, e começando, e parando. Minha esposa olhou para cima e me perguntou o que eu havia dito, e eu respondi, ‘Ah, nada’. Então, de repente, levantei-me, atravessei a sala, empurrei o jornal dela nervosamente para o lado e disse: ‘Alice, eu te amo.’ Por um minuto ela pareceu sobressaltada. Então, lágrimas afloraram aos seus olhos e ela disse suavemente: ‘Ed, eu também te amo, mas esta é a primeira vez em vinte e cinco anos que você disse isso dessa forma.’

Conversamos durante algum tempo sobre como o amor, quando há bastante, é capaz de dissolver todo tipo de tensões e, de repente, decidi, no entusiasmo do momento, ligar para meu filho mais velho em Nova York. Nunca nos demos muito bem. Quando ouvi sua voz ao telefone, falei de supetão: ‘Filho, você pode pensar que estou bêbado, mas não estou. Apenas pensei em te telefonar e dizer que eu te amo.’ Houve uma pausa do outro lado da linha, e então eu o ouvi dizer baixinho: ‘Papai, acho que já sabia, mas, com certeza, é muito bom ouvir. Quero que saiba que também te amo.’ Tivemos um bom papo e então liguei para meu filho mais novo em São Francisco. Sempre fomos mais chegados. Eu disse o mesmo a ele, e isso também proporcionou uma conversa realmente agradável, como nunca havíamos tido de fato. Ao me deitar naquela noite, pensando, percebi que tudo o que você havia falado – detalhes operacionais da verdadeira gerência – adquiriram um novo significado, e eu consegui perceber como aplicá-los se realmente entendesse e praticasse o amor obstinado. Comecei a ler livros sobre o assunto. Com certeza, Joe, várias personalidades têm muito a dizer, e comecei a perceber a enorme praticidade de aplicar o amor à minha vida, tanto em casa quanto no trabalho. Como alguns de vocês aqui sabem, eu realmente mudei minha forma de trabalhar com as pessoas. Comecei a prestar mais atenção e a ouvir de verdade. Aprendi o que é tentar conhecer os pontos fortes das pessoas, em vez de insistir em seus pontos fracos. Comecei a descobrir o verdadeiro prazer de ajudar a desenvolver sua confiança. Talvez o mais importante de tudo foi eu ter começado a entender, de verdade, que uma forma excelente de demonstrar amor e respeito pelas pessoas é esperar que utilizem seus pontos fortes para alcançar os objetivos que definimos juntos. Joe, esta é minha forma de dizer ‘Obrigado!’ E, coincidentemente, vamos falar do aspecto prático! Agora sou vice-presidente da empresa e as pessoas me chamam de líder principal. Ok, pessoal, agora ouçam esse cara!”

Joe Batten
Canja de galinha para a alma
Jack Canfield e Mark Victor Hansen
Ediouro

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