Ansiedade em crianças e adolescentes: por que ela está chegando cada vez mais cedo?

Longe de ser exclusividade de adultos, o aumento da ansiedade em jovens é cada vez mais visível, especialmente em adolescentes e quem acabou de terminar o ensino médio. O transtorno se manifesta, principalmente, por medo e angústia constantes que causam os mais diversos prejuízos: aos relacionamentos afetivos e familiares, aos planos profissionais e mina também o futuro que quem sente essa ânsia pelo que vem a diante.

Ansiedade em crianças e adolescentes

Ansiedade é um sentimento de antecipação do futuro que surge como forma do cérebro se preparar para o que ocorrerá no futuro. Normalmente, ocorre antes de compromissos e eventos significativos, como festas e entrevistas de trabalho.
No entanto, casos exagerados de ansiedade podem fazer com que a sensação seja vivenciada em momentos banais, como ao falar com outra pessoa ou ao escolher no caminho para ir ao trabalho. Estes quadros podem ter relação com o Transtorno de Ansiedade Generalizada, distúrbio mental que acarreta prejuízo à vida do indivíduo, dificultando ações simples como dormir e trabalhar.

Por que a ansiedade está chegando precocemente?

Apesar de ter causas genéticas, a condição surge por meio de situações desencadeantes, como:

Ambiente familiar
A convivência com parentes próximos é a principal base para construção da estrutura emocional de uma pessoal. “A forma com que os pais lidam com a criança pode dizer muito sobre o nível de ansiedade dela”, explica a psicóloga Edyclaudia Gomes de Sousa.
Por exemplo, pais negligentes ou superprotetores podem fazer com que a criança sinta insegurança, o que resulta no aumento da ansiedade normal ou transtorno de ansiedade, como o generalizado ou síndrome do pânico.
Uma pesquisa de 2011 feita pela psicóloga Lídia Weber, da Universidade Federal do Paraná, chegou à mesma conclusão com base científica. O estudo acompanhou 250 adolescentes de 12 e 13 anos, sendo que um quarto deles apresentava ansiedade excessiva. Por meio de entrevistas, foi constatado que apenas 5% das crianças com a sensação disseram que seus pais são participativos em suas vidas.
“O contexto familiar mudou muito. Por exemplo, antigamente a família jantava junta e hoje é cada um para um canto. Além disso, os pais não têm muito tempo de ficar em contato com o filho, que pode se sentir sozinho e desenvolver prejuízos para saúde”, ressalta a especialista.
A falta de olhar e atenção também pode impedir que responsáveis e amigos percebam a mudança de comportamento do jovem e, assim, o auxiliem e/ou orientem a buscar ajuda.

Chegada da fase adulta
Edyclaudia Gomes afirma que o transtorno de ansiedade é comum em jovens que atingem a idade adulta, o que ocorre a partir dos 18 anos, quando surgem grandes responsabilidades.
Nessa fase, ainda há a imposição de realizar mudanças na própria vida devido a exigências exteriores, como ter um emprego, conquistar bens materiais e formar uma família. “Os jovens não estão preparados para lidarem com tantas mudanças de uma vez só, o que gera insegurança e medo do futuro”, explica a especialista.

Redes sociais e tecnologia
Segundo a psicóloga, a introdução da tecnologia provocou grandes mudanças no comportamento dos jovens. “A inovação fica ultrapassada muito rápido e leva as pessoas a trabalharem mais para consumirem mais, desestabilizando todo o ambiente familiar”, ressalta. Com isso, os pais ficam mais ausentes e os filhos se sentem pressionados a seguirem a “moda”, gerando frustração quando não possuem os aparelhos mais atuais.
Além disso, as redes sociais promovem a sensação de inferioridade por só mostrarem majoritariamente momentos e experiências positivos, levando o usuário a comparar sua vida com as de outras pessoas.

Sintomas de ansiedade em crianças e adolescentes

Além dos clássicos sintomas de transtorno de ansiedade generalizada – como medo constante, dificuldade de concentração, palpitação e falta de ar -, a preocupação exagerada pode ser notada em crianças e adolescentes por meio de sinais característicos como:
– Preocupação exagerada com uma possível separação dos pais;
– Medo de ficar sozinho;
– Isolamento social e diálogo apenas com pais e parentes;
– Falta de amigos;
– Falta de interesse ou ânimo de ir à escola ou à universidade;
– Sofrimento excessivo antes ou após uma prova.

Consequências

De acordo com a psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga, especialista em educação especial e gestão escolar, a falta de tratamento adequado para ansiedade precoce pode gerar uma série de prejuízos ao longo da vida. “A criança ou adolescente pode levar essa ansiedade para o mercado de trabalho e para o ambiente familiar, prejudicando sua carreira e relacionamentos”, explica.
Ainda segundo a especialista, a ansiedade também pode ser uma das causas da depressão, visto que a criança ou adolescente pode não saber se expressar corretamente e não encontrar abertura para expressar o que lhe aflige.
Assim, o ideal é estar atento aos sintomas e oferecer ajuda ao ansioso, buscando um psiquiatra ou psicólogo a fim de que ocorra uma avaliação necessária para fechar o diagnóstico. Se for constatada a ansiedade, o tratamento pode envolver psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos.

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