Ação estratégica

Certo dia, a lebre desafiou a tartaruga para uma corrida, argumentando que era mais rápida e que a tartaruga nunca a venceria.

A tartaruga começou a treinar enquanto era observada pela lebre, que se ria dos esforços da tartaruga.

Chegou o dia da corrida.

A lebre e a tartaruga posicionaram-se e, após o sinal, partiram. A tartaruga estava correndo o mais rapidamente que conseguia, mas foi ultrapassada pela lebre.

Visto já estar a uma longa distância da sua concorrente, a lebre se deitou a dormir. Enquanto dormia, não se dava conta que a tartaruga ia se aproximando mais e mais da linha de chegada.

Quando acordou, a lebre, horrorizada, viu que a tartaruga estava muito perto da linha de chegada. Assim, a lebre começou a correr o mais depressa que pode, tentando a todo o custo ultrapassar a tartaruga. Não conseguiu. Após a vitória da tartaruga, todos foram festejar com ela, e ninguém falou com a lebre.

Depois de alguns dias a Lebre pede a palavra numa assembleia e diz:
– Cansei de ser estigmatizada como negligente e leviana por perder a competição para a tartaruga. Falhei, mas mereço uma chance: desafio a tartaruga a uma nova prova.

O macaco que presidia a sessão foi decisivo:
– A peleja foi leal e o resultado é irrecorrível!… A não ser que a tartaruga concorde.

Todos os olhares convergem para a tartaruga que, cabisbaixa e humilde, apenas balbucia:
– Seja feita a vontade da lebre.

Esta, exultante propõe:
– Veja aquela árvore. Quem atingir seu topo ganha a prova.
E com empáfia e ironia:
– Deixo a tartaruga a primazia da tentativa.

A surpresa foi geral:
– Nem a lebre e nem a tartaruga são capazes de subir em árvore!

Mas a lebre, marota, já tinha seu estratagema. O pico da árvore, uma amendoeira, estava no nível de um morro e um de seus galhos quase atingia sua superfície. Com um pequeno pulo atingiria facilmente o topo da árvore, o que seria impossível à tartaruga, incapaz de pular.

A prova marcada para três dias após, gerou uma ansiosa expectativa na bicharada. A lebre circulava exultante e galhofeira:
– Vou transformar a tartaruga em picadinho!

A tartaruga postou-se impassível diante da árvore. Findo o segundo dia, a tartaruga rompeu o mutismo e solicitou uma reunião com alguns amigos: o macaco, o elefante e a águia, para expor a situação e, em equipe, montar sua estratégia.
Disse: – Descobri qual a artimanha da lebre em usar o morro e o galho da árvore, mas com a ajuda de vocês conseguiremos vencê-la.

E expôs seu plano:
 – O elefante, com sua tromba, colocaria a tartaruga no primeiro tronco da árvore; a águia convocaria suas colegas para inverterem os galhos, de modo a alavancarem a tartaruga até o topo, onde o macaco a ampararia, e finalmente a águia manteria o galho recolhido, para evitar que o mesmo desse acesso à lebre.

Ao chegar a hora, assim foi feito, com sucesso!

– Venceram a observação, o pensamento organizado, a ação estratégica e o trabalho em equipe.

Do livro: Visão e Parábolas: Compreendendo a cultura das organizações.
Livro esgotado na editora

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